sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Emanuelle, um tributo
Essa é da era mezozóica da internet.
Na época só havia duas opções para garotos de 15 anos buscando conhecimento teórico do mundo adulto: o Domingo Legal, do SBT, e o Cinê Privê, da Band.
Às madrugadas de domingo, enquanto outras emissoras encerravam suas programações e pais já dormiam, milhares de adolescentes assistiam à épica cruzada de Emmanuelle, nossa heroína, contra o reacionarismo sexual.
Emmanuelle foi tão bem aceita que ganhou continuações suficientes para preencher a grade da madrugada da Band.
Emmanuelle 2 tem uma cena que nunca esqueço.
A história acontecia dentro de um transatlântico. Após conhecer inúmeras pessoas, Emmanuelle prontamente fazia borbulhas de amor com todas, excetuando seu próprio marido.
Numa ocasião, um engomadinho salivando babaquice a arrastava para uma das cabines do transatlântico. Os dois rompem antes de chegar aos finalmentes e cada um segue seu rumo na vida.
O dela é a sala de máquinas, no subsolo do transatlântico. Lá, escolhe o mais braçal dos trabalhadores - o cara tinha minha altura só de ombro - e decide satisfazê-lo após dura jornada de trabalho.
Foi um baque para este moleque de classe média, acostumado ao mundo dos condomínios de luxo habitados por amigos e à política de exaltação de riquezas.
De uma fonte altamente improvável surgiu uma lição sobre a vida: nem sempre o sucesso e o dinheiro estão intimamente ligados, uma verdade que acreditava ser absoluta.
Também não estou dizendo que se trata de uma mentira absoluta. Bem longe disso.
O fato é que, como Emmanuelle ensinou-me: entre as chegadas e partidas do transatlântico, tal qual um bêbado perambulando entre sarjetas, a vida pode não estar com a memória em dia para se lembrar do que costuma professar.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Cobain, 27
Na última tentativa de suicídio fracassada de Kurt Cobain, Courtney Love acordava repentinamente numa cama vazia com o vocalista desmaiado sob uma pilha de roupas sujas - o corpo estava tomado por um verde doentio, resultado das doses estupidamente altas de heroína circulando por suas veias.
"Não é como se ele estivesse reagindo a uma overdose. Ele estava praticamente morto!", segundo Love dissera anos depois no livro Heavier then Heaven, do jornalista Charles R. Cross.
O filho mais pródigo da pequena Aberdeen, Washington, atraiu a atenção do mundo praticamente do dia para a noite, quando liderou o Nirvana ao topo do ranking de vendas da Billboard.
As letras angustiadas, as pesadas batidas do baterista Dave Grohl e a bem-sucedida mistura de beleza e caos excerceram um poder de atração quase imediato em quem ouvia os 45 minutos de duração do Nevermind.
Assim, Kurt Cobain tornou-se a referência de uma geração nascida entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, que só pôde ouvir histórias sobre os dias de glórias de Stones e Beatles.
Mas nem a pequena Frances Bean, sua filha, muito menos a carreira de rockstar que, quando criança prometera a si mesmo se dedicar, foram suficientes para tirá-lo do estado constante de depressão.
Kurt havia aprendido como se trancar nos corredores de própria mente por tempo demais para não ser corrompido - a primeira vez ainda na infância procurando refúgio das discussões entre seus país.
Finalmente cumpriu outra de suas promessas de infância, resolvendo como Jim Morrison que já vira o bastante da vida aos 27 anos.
"Não é como se ele estivesse reagindo a uma overdose. Ele estava praticamente morto!", segundo Love dissera anos depois no livro Heavier then Heaven, do jornalista Charles R. Cross.
***
O filho mais pródigo da pequena Aberdeen, Washington, atraiu a atenção do mundo praticamente do dia para a noite, quando liderou o Nirvana ao topo do ranking de vendas da Billboard.
As letras angustiadas, as pesadas batidas do baterista Dave Grohl e a bem-sucedida mistura de beleza e caos excerceram um poder de atração quase imediato em quem ouvia os 45 minutos de duração do Nevermind.
Assim, Kurt Cobain tornou-se a referência de uma geração nascida entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, que só pôde ouvir histórias sobre os dias de glórias de Stones e Beatles.
Mas nem a pequena Frances Bean, sua filha, muito menos a carreira de rockstar que, quando criança prometera a si mesmo se dedicar, foram suficientes para tirá-lo do estado constante de depressão.
Kurt havia aprendido como se trancar nos corredores de própria mente por tempo demais para não ser corrompido - a primeira vez ainda na infância procurando refúgio das discussões entre seus país.
Finalmente cumpriu outra de suas promessas de infância, resolvendo como Jim Morrison que já vira o bastante da vida aos 27 anos.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Contos sem fadas e About a Girl
Do caderno de rascunhos:
Entre uma cafeteria e um sex shop, onde segredos ficam enterrados e bobos facilmente se tornam príncipes, você exibia seus célebres truques de flerte enquanto eu erguia a primeira de uma sequência de garrafas.
Então tudo ficou confuso, como num gol sofrido no último minuto, no momento em que testemunhei o começo de seu conto sem fadas, carregado de abóboras.
Olhem como sorri, este grande molengão.
***
Qual é a definição de relação moderna?
***
No fim daquele casuísmo todo, o sol da primavera se esparramava sobre parte da sala e nós conversamos sobre vida, sonhos e finais. "Então é assim que termina? Como o último acorde de um CD consagrado", falei com ela tentando ler minhas expressões.
Entre uma cafeteria e um sex shop, onde segredos ficam enterrados e bobos facilmente se tornam príncipes, você exibia seus célebres truques de flerte enquanto eu erguia a primeira de uma sequência de garrafas.
Então tudo ficou confuso, como num gol sofrido no último minuto, no momento em que testemunhei o começo de seu conto sem fadas, carregado de abóboras.
Olhem como sorri, este grande molengão.
***
Qual é a definição de relação moderna?
***
No fim daquele casuísmo todo, o sol da primavera se esparramava sobre parte da sala e nós conversamos sobre vida, sonhos e finais. "Então é assim que termina? Como o último acorde de um CD consagrado", falei com ela tentando ler minhas expressões.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
CENTOS E POUCOS ANOS DE MÚSICA
“Pode escrever que a história deste lugar é inenarrável”.
Existem inúmeras formas de contar a história do centenário edifício do número 22 da Rua Quintino Bocaiúva, região central de São Paulo.
Entre as décadas de 30 e 50, período célebre em que foi chamado de a 'Esquina Musical de São Paulo', albergou a Rádio Record e as lojas de música Bevilacqua e Vitali.
Atualmente, a Casa Amadeu de Música divide os corredores do edifício com inquilinos bem distintos do passado: uma empresa de xérox, um atelier e uma coleção de salas fantasmas à espera de um locatário.
Principal destino dos visitantes que usam a desgastada escada de mármore italiano cujos degraus apresentam leve afundamento na beirada do piso após muitos e muitos anos recebendo os pés irrequietos de músicos, locutores, fãs e colecionadores ávidos por novas coleções de discos, a Casa Amadeus preserva com imagens e outras reproduções visuais a história do local.
Lá, os visitantes avistam entre pilhas de cds, livros e partituras, uma porção de imagem históricas como a fotográfia tirada em 1945 mostrando uma multidão de pessoas sob a sacada da Rádio Record, onde era avisada por um letreiro que "a Alemanha se rendeu em terra, mar e ar completamente".
Também há uma réplica de contrato firmado pela Record pelos serviços de Adoniram Barbosa por uma soma de dezenove mil e quinhentos cruzeiros - Adoniram foi presença cativa naqueles corredores, segundo os funcionários mais antigos da Casa Amadeus.
De acordo com as histórias, os integrantes da Jovem Guarda, Cauby Peixoto e tantos outros grandes expoentes da música da época também se reuniam no Palacete Lara durante a época de ouro da 'Esquina Musical', de onde corriam para algum ponto da noite paulista onde ficavam madrugada a dentro.
A história do Palacete Lara "é inenarrável".
sexta-feira, 27 de abril de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
ARCTIC MONKEYS
Dá para parceber que o show do Arctic Monkeys será bom quando o baterista começa o ritual de pesadas batidas da terceira música do setlist, Crying Lighting, sobre uma garota que tomou gosto por bancar a difícil, e o público entra naquele estado de catarse essencial para o rock de qualidade.
As pessoas ao meu redor pulam, dançam, bebem ou atiram pulseiras de neón da Heineken para o alto.
E tem de tudo ali no meio: modernet, hipster, um descendente de árabe, alguns de italiano e garotas garbosas. Muitas delas.
A ideia era achar um ponto do Jockey que desse visibilidade razoável para o telão e para o palco - e se posicionar entre um grupo inocente o bastante para cair nas piadas do Marcel durante o show. O palco eu mirava ora sim, ora não, a depender da boa vontade do pessoal da frente com este quase anão de 1,71 que aqui escreve; o resto deu certo.
Vem uma sequência do 'Suck it and See'. Esse CD eu pouco ouvi e resolvi que não caía bem uma dublagem fajuta das letras para fingir o contrário.
Do meu lado esquerdo, um pouco atrás, a fila de comes e bebes não deixa de rodar sequer um minuto.
Daria quase tudo por uma cerveja gelada. Quase tudo, menos os oito reais que estão cobrando. Fila inclusa.
"Sã-o Paolou"
É a quarta ou quinta vez que o vocalista da banda, que me lembra o PH Ganso, o meia do Santos, com um penteado rockabilly de respeito, repete o nome da cidade com seu sotaque britânico de Sheffield. Ele deve ter gostado.
Antes do bis vieram Still Take You Home e Bet you Look Good on the Danceflour, e depois três das preferidas do blog: When The Sun Goes Down, Fluorescent Adolescent e, finalmente, 505.
"I'm going back to 505. If it's a seven hours flight or a forty five minutes drive. In my imagination you're waiting lying on your side, with your hand between your thighs".
Que final.
Agora é voltar para Barueri. Trinta minutos de carro.
"Strokes é bom mesmo, heim"
Era o Marcel, em noite inspirada. Na fileira mais próxima, um grupo de pessoas se virou, só para ter certeza.
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